domingo, 15 de junho de 2008

Puro desejo

Desejo. Puro desejo entranhado na minha carne. Penso, e volto a pensar, no teu corpo. Repetição de gestos. Lambo os dedos, sem parar. Levanto-me da cadeira, e volto-me a sentar. Puro nervosismo. Olho para o telefone vezes sem conta esperando uma chamada tua, nada. Precipito-me para a cozinha – numa quase corrida incapacitada - procurando algo doce que satisfaça este meu apetite incontrolável por ti. Como chocolate até não puder mais, a minha ânsia mantém-se. Invade-me o calor, e num acto de loucura, rasgo toda a minha roupa – raiva, tanta raiva – deito-me no sofá, nua. Ligo a televisão, passo os canais à toa – transpiro cada vez mais – sem nenhum me cativar o interesse. Canso-me, e vou em busca de roupa no armário do quarto, se não vens a mim, vou eu a ti. Enfio qualquer coisa, saio de casa. Corro que nem uma doida pelas ruas desertas e sombrias da cidade, a tua casa é perto, falta pouco… Chego ao teu prédio, toco à campainha – ah por fim a tua voz -, entro e subo as escadas, e rapidamente começo a ver a tua silhueta. Atiro-me então a ti, como uma pantera à presa, tu não ofereces resistência, deixaste dominar pela minha vontade, quando dou por mim estamos no chão, em êxtase -o quanto esperei eu, por este momento -, deixo-me envolver em ti, sem qualquer pensamento mais longínquo que os centímetros entre o teu corpo e o meu.

2 comentários:

Natureza Poética disse...

Olá!
Belo texto, Lola! Bem escrito, intenso...
Parabéns!
Percebo que estou inaugurando seu blog né.
Bem, então muito sucesso pra seu espaço de palavras ok. E obrigada pela visita lá no Alma de Poesia.
Beijus

Anónimo disse...

"se não vens a mim, vou eu a ti. Enfio qualquer coisa, saio de casa."

parece o meu dia-a-dia ultimamente :$
beijinho querida